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Era uma vez nos encontros na internet

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Relacionamentos

Nosso talento de prolongar o inevitável

No post anterior eu não havia sido específica sobre o motivo da grande briga deles. Havia apenas dito que eles brigavam muito e que ele implicava com tudo, até mesmo suas roupas. A briga em questão, que a fez chegar em minha casa aos prantos, foi porque ele a havia chamado de gorda. Mais especificamente de «porca gorda e descuidada». Que ela já não era a mesma do início do relacionamento. Que precisava «dar uma emagrecida». Não vou, neste post, entrar no quanto tal afirmação me ofende. Nós, mulheres, somos muito preocupadas com nossa aparência. Ser chamada de gorda é algo que mexe muito com nossa autoestima. Posso fazer um outro post sobre autoestima em relacionamentos se vocês quiserem. Posso até colocar alguns exemplos pessoais.
Mas voltando ao problema da minha amiga, depois de uma panela de brigadeiro e conselhos de que ela deve se valorizar mais, a levei em casa. Eu tinha CERTEZA ABSOLUTA que ela não aguentaria mais as grosserias dele. Ela havia saído decidida, pronta para colocá-lo para fora de casa.
E o que aconteceu? Adivinhem. O que acontece com a maioria das mulheres brasileiras. Ela disse a ele que ia perder peso. Ela fez isso para não perdê-lo. Ao invés disso, estava perdendo a si mesma.
As coisas que não fazemos para manter nosso relacionamento, não é mesmo? Por que desistimos de quem somos, de nosso orgulho, de nosso amor próprio por alguém que não nos merece? Por que insistimos em acreditar  que precisamos nos diminuir por alguém que claramente não quer o que temos a oferecer?
Eu já estive no mesmo lugar que a minha amiga. Já estive no mesmo lugar onde ela está agora e também não via o óbvio. Tudo porque acreditava que era melhor estar com alguém do que estar sozinha. E, de alguma forma distorcida, acreditava que eu precisava mudar quem eu era para não ficar sozinha. Para aquela pessoa me querer. Mas adivinhem? Aquela pessoa não me queria de verdade. Pelo menos não como eu realmente era. Ela queria uma versão idealizada de mim mesma. Alguém que não existia, mas que eu estava disposta a fazer de tudo para criar. E vocês podem imaginar que isso não deu muito certo. Há um limite para a quantidade de tempo em que conseguimos usar uma máscara. Ninguém consegue usar máscaras a vida toda. Precisamos ser nós mesmos. Precisamos respirar.
Desde pequenas somos ensinadas a esperarmos por nosso príncipe encantado. Como eu disse em um post anterior, essa parece ser uma tendência mundial. E sabem o que eu tenho a dizer sobre isso? Parem o mundo que eu quero descer. Não quero viver em um mundo em que a realidade seja essa.
Ao invés de dizermos isso às nossas meninas, devíamos lembrá-las de que devemos ficar com pessoas que nos amam por quem somos. É importante se comprometer em seu relacionamento? Claro. Mas não comprometa quem você é. Nunca. Como diz o ditado, melhor sozinha do que mal acompanhada. Vamos criar uma geração de mulheres autossuficientes. Vamos parar de arrastar o inevitável. Quantas de vocês estão ou já estiveram em um relacionamento abusivo? Quantas têm ou tiveram a coragem de sair dele? Essa força existe. Você não está sozinha.